Quem, numa bela
noite estrelada, nunca se perguntou sobre os maiores mistérios da vida: “de
onde viemos?”, “pra onde vamos?” e “estamos sozinhos no universo?”. A
ciência também adora essas perguntas. Muitos cientistas ao longo dos séculos
dedicaram suas vidas para tentar compreender o Cosmos e seus segredos. Giordano
Bruno, por exemplo, foi um dos pioneiros no assunto vida extraterrestre.
Durante a Inquisição afirmou que a Terra não é o centro do universo, tampouco o
é o nosso sol e que também o percebia repleto de vida, além da nossa própria!
Foi morto por suas convicções, mas suas ideias ainda vivem. Outro grande
cientista foi Carl Sagan que, através do ceticismo e do método científico,
dedicou sua vida a testar as várias hipóteses para o surgimento da vida no
planeta e como o processo poderia se repetir em outros mundos.
Porém, algo que
nenhum cientista de outras épocas tinha era a certeza da existência de outros
planetas orbitando estrelas que não o nosso sol! Isso mudou na década de 1990,
a partir da descoberta de muitos exoplanetas. Hoje, não só conhecemos milhares
de exoplanetas, como sabemos que existe pelo menos um que é bastante parecido
com a nossa Terra; único berço de vida no cosmos até hoje conhecido!
O universo é
realmente muito grande! São aproximadamente 200 bilhões de galáxias, cada uma
com outras 100 a 200 bilhões de estrelas. Nosso sol é uma estrela entre outras
100 bilhões da Via Láctea. Há quem diga que existem mais estrelas no universo
do que todos os grãos de areia do planeta Terra! O mais legal é que cada
estrelinha dessas pode conter pelo menos um planetinha. Uns bem maiores (ou
menores) do que o nosso, outros aproximadamente do mesmo tamanho. E, mais
ainda, alguns dentro de uma região chamada zona habitável, que quer dizer que o
planeta está afastado de sua estrela o suficiente (nem tão perto e nem tão
longe) para ter água no estado líquido em sua superfície. E água é igual à vida!
E vida é igual a cientistas atrás de outros planetas com vida!
Pois bem, o
exoplaneta Kepler-186f, que teve sua descoberta anunciada em 17 de abril último,
é um desses planetas bastante interessantes. Possui tamanho ligeiramente maior
que a Terra e está na zona habitável de sua estrela, a Kepler-186. Aliás, diga-se
de passagem, o tipo de estrela da Kepler-186 (anã vermelha) é o mais comum da
nossa galáxia, representando em torno de 70% de todos os pontinhos de luz que
brilham em nossa galáxia-mãe. Deve haver, portanto, muitos mundos semelhantes a
esse por ai. Estimativas iniciais apontam para milhões de planetas semelhantes
ao nosso e em zonas habitáveis de suas estrelas.
Agora, lendo
esses números, eu pergunto, caros leitores: alguém acredita que existe vida em
algum outro planeta desse universo?
Carl Sagan costumava
retrucar contra quem dizia que a vida na Terra era um caso único no universo
dizendo que “ausência de provas não pode provar a ausência”, se referindo ao
fato de que, ainda que não tenhamos qualquer prova da existência de vida
alienígena, isso não prova que de fato ela não exista (!). Por outro lado,
realmente não temos nenhuma evidência de vida em outro planeta. Mas a busca
continua.
Um dos projetos
com essa missão é o projeto SETI (Search for extraterrestrial intelligence ou
busca por vida inteligente extraterrestre). Radiotelescópios são utilizados
para varrer os céus atrás de alguma possível emissão de um sinal de rádio
alienígena. Algo como "Estou aqui. Tem alguém ai?". Em 15 de agosto
de 1977, um de seus rádiotelescópios detectou um forte sinal de 72 segundos de
duração. O susto do pesquisador foi tão grande que ele escreveu no papel a
palavra “WOW”. Uma possível origem do sinal seria a constelação de Sagitário.
Hipóteses como emissões piratas de rádio ou sinais de satélites ou outras
possíveis causas para esse forte sinal já foram testadas e descartadas, não
restando nenhuma explicação plausível para esse que é mundialmente conhecido
como sinal “WOW”. Mas, o mais intrigante desse sinal, por assim dizer, é a sua
frequência. Ela é muito próxima da frequência de ressonância do hidrogênio, o
elemento mais comum do universo! Não seria essa a mensagem mais óbvia a ser
enviada para navegar pela imensidão do espaço para ser decifrável por qualquer
vida inteligente?
Cada vez mais
olhamos para mais longe e achamos planetas. E continuamos nossas buscas por
qualquer vestígio de vida no Cosmos. Essa busca dificilmente cessará até
encontrarmos alguma evidência. E quais as implicações para o nosso dia a dia de
uma possível descoberta de vida alienígena? Esse questão foi levantada no Fórum
Econômico Mundial em 2013 como um dos “fatores X”, que são questões
extremamente relevantes e que merecem uma atenção especial das nações, para que
os governantes não sejam pegos de surpresa. Nesse documento, a descoberta de
vida alienígena é tida como muito provável no prazo de até 10 anos! Será?
Parece que a
pergunta agora é “quando encontraremos algo” e não mais “se encontraremos
algo”. Talvez, em menos de uma década, olhar para o céu à noite tenha um significado
inteiramente diferente do que já teve algum dia!
Abaixo, deixo
dois sites da internet para consultas. Divirtam-se!
Link 1 - O
sinal WOW (em inglês): http://en.wikipedia.org/wiki/Wow!_signal
Link 2 – Fórum
Econômico Mundial debate a descoberta de vida em outros mundos (em inglês): http://reports.weforum.org/global-risks-2013/section-five/x-factors/